"Fact Check. Teste da vela demonstra fiabilidade das máscaras comunitárias?"

(In Observador, 23 Dezembro 2020)

"Nem toda a informação que circula nas redes é fidedigna. O teste da vela é apresentado em várias redes sociais como um método caseiro para avaliar a fiabilidade das máscaras. Mas será fiável?

À semelhança de muita da informação que nos chega diariamente através das redes sociais, também este teste é muito pouco rigoroso. Não passa de um teste caseiro sem regras e parâmetros definidos e cujas condições em que é realizado podem variar, o que certamente também põe em causa a avaliação final. A título de exemplo das ideias erradas que se foram formulando a propósito destas máscaras, um post no Facebook sugere o seguinte exercício:

“Acenda um fósforo, vela ou isqueiro e tente soprar para apagar através da máscara, se conseguir apagar sem muito esforço, esta máscara não te dá muita proteção.” Mas este “teste” à funcionalidade destes equipamentos de proteção individual não é rigoroso. Vamos perceber porquê.

Não devemos, antes de mais, esquecer a função principal das máscaras: filtrar microorganismos de tamanho entre os 10 e os 100 nanómetros. O tal teste caseiro começa por falhar, ao esquecer que as partículas de oxigénio medem apenas um nanómetro, que dificilmente será retido pela máscara. Na verdade, é desejável, até, que o ar possa penetrar a máscara. Caso contrário, como conseguiríamos respirar com ela posta?

Se testar a capacidade de filtragem de uma máscara fosse assim tão simples, não haveria necessidade de recorrer à entidades competentes. Nos laboratórios são seguidos protocolos que procuram resultados consistentes através de experiências constantes.

No que respeita às máscaras reutilizáveis (ou comunitárias), não reconhecidas como material de proteção médica, o Infarmed explica que “os estudos de desempenho deverão ser realizados após simulação do uso real e dos números de ciclos máximos de reutilização previstos”. Nesse mesmo documento, a autoridade do medicamento em Portugal apresenta as especificações técnicas. Estas máscaras, cujo uso está destinado à “população em geral para as saídas autorizadas em contexto de confinamento”, está previsto um “desempenho mínimo de filtração de 70%” e um uso máximo de quatro horas ininterruptas, sem “degradação da capacidade de retenção de partículas nem da respirabilidade”."

Leia a notícia na íntegra aqui.

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